FCR Advocacia

12/12/2016

R$ 18 milhões começam a ser pagos a ex-funcionários da Busscar nesta segunda-feira


Primeira etapa vai garantir dinheiro para 1,4mil trabalhadores. Outros mil também vão receber nos próximos dias


A partir desta segunda-feira, ex-trabalhadores da Busscar, de Joinville, começam a receber créditos da empresa. Nesta primeira semana, o cronograma prevê o pagamento para 1,4 mil ex-funcionários. Eles aguardam para receber o limite de 30% do valor inscrito na relação de credores exibida nos autos do processo de falência. Os valores serão entregues via cheque nominal. No total, serão repartidos cerca de  R$ 18 milhões.

O pagamento dos outros mil funcionários será realizado a partir do próximo dia 19 e vai até o dia 23. A entrega das senhas para esse atendimento começará na sexta-feira. O cronograma foi definido pelo Instituto Professor Rainoldo Uessler (Ipru), responsável pela administração da massa falida. A lista dos credores está no site www.ipru.com.br/comunicados. Somente serão entregues os cheques nos dias e horários especificados, respeitando a sequência de senhas.

Os pagamentos colocam fim à espera de dois anos, desde a decretação da falência da fabricante de ônibus. Para Odenir Bitencourt, 61 anos, o dinheiro que vai receber ajudará a fomentar um negócio que está começando em parceria com o genro. Juntos, fazem trabalhos de reformas em residências. Ele não sabe ao certo quanto receberá, mas, o que sobrar, quer reservar um pouco para ajudar na renda da casa. Quando foi decretada a falência da empresa, em 2014, Odenir, apesar de empregado, já estava aposentado havia oito anos. Por isso, não pesou tanto o sofrimento econômico. Fez bicos como mecânico para complementar o orçamento da casa. Mas o que incomodou mesmo foi o lado emocional. Afinal, foram 24 anos trabalhando como mecânico na Busscar, onde entrou em 1990.

– Vinte anos é uma vida, né? Estava acostumado com a empresa. Gostava de lá. Além de mim, trouxe dois filhos e meu genro para trabalhar na Busscar. Por esse lado, foi um baque quando acabou.

Assim como Odenir, Aristides Francisco Damasceno, de 59 anos, era mecânico e estava aposentado quando foi decretada a falência da Busscar. Mas se a dor no bolso foi pequena, o “coração” doeu bastante.

– Eu me sentia em casa na Busscar. Era onde eu passava a maior parte do meu tempo. Não foi fácil ver tudo acabar.

E o que vai fazer com o dinheiro? Aristides não revela. Segredo de Estado. Já Everaldo Pontos, de 31 anos, não tinha o conforto de contar com uma aposentadoria em 2014. Ele trabalhava como técnico de fibras na Tecnofibras, empresa do Grupo Busscar. Na época, entrou para a lista do desemprego, mas a situação logo se reverteu. Em poucos meses, começou a trabalhar em uma outra empresa, onde atua até hoje. Com o dinheiro que vai receber, ele sonha comprar uma moto.

A Busscar, que já foi uma das principais fabricantes de ônibus do Brasil e teve seu apogeu nas décadas de 80 e 90 do século passado. Declinou após a morte do patriarca e fundador Harold Nielson. Socorrida pelo BNDES em 2004, entrou em crise aguda a partir de 2008, da qual nunca saiu. Em 2011, entrou em recuperação judicial e teve a falência decretada, em setembro de 2014. Desde a decretação da quebra da Busscar, foram vendidos, em leilão, mais de 95% dos bens não operacionais, além da Tecnofibras, Climabuss e ações da Busscar Colômbia.

Fonte: http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/geral/joinville/noticia/2016/12/r-18-milhoes-comecam-a-ser-pagos-a-ex-funcionarios-da-busscar-nesta-segunda-feira-8708284.html